TE AMO PRA SEMPRE...
Naquele dia ela se sentou no chão da cozinha e ficou me olhando, enquanto eu organizava as coisas para sair. Um olhar triste. Até parece que sabia o que estava por acontecer…
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(ATENÇÃO! Esse texto pode ser incômodo para pessoas mais sensíveis, se for o seu caso, não leia!)
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Não. Esse foi apenas o meu pensamento já com o sentimento de culpa ‘embutido’, porque esse olhar triste já estava com ela há meses, e tudo começou, de fato, em novembro de 2022, quando observei que ela não estava muito bem. Estava com diarreia. Logo atribuí ao petisco comprado em local diferente. Era o mesmo petisco, mas, desconfiei que estivesse estragado por ficar em local que o sol pegava em determinado horário do dia. Mas, não. Não foi isso e, após alguns dias esperando a melhora sem sucesso, resolvi levá-la para a veterinária.
Vários exames foram feitos e nenhum resultado foi conclusivo, então, no início de 2023, nos encaminharam para outra veterinária, porque essa seria a melhor em cuidados com gatos.
Mais um batalhão de exames… A minha gatinha foi raspada, furada, cortada, e os resultados, ainda inconclusivos.
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Poderia ser PIF, poderia ser FIV, poderia ser FELV, poderia ser doença da lagartixa, poderia ser linfoma… e todas eram doenças terríveis.
Mas, também poderia ser uma alergia alimentar e foi indicada uma ração hipoalergênica pra ela e, após a troca da ração, de fato, houve uma melhora. A melhora consistia apenas em estabilidade no quadro. Ela voltou a miar, voltou a brincar, voltou a correr, voltou a “conversar” comigo, subia na árvore do quintal, subia no telhado… mas, continuava magra e com cocô molinho. Qualquer comida diferente que comia, o quadro piorava, então eu mantive esse protocolo.
Ela ficou assim, estável, até início desse ano, 2024, quando comecei a observá-la e achar que ela estivesse mais magra que o normal. Note que, ela sempre foi uma gata magra, e era difícil observar que ela estivesse emagrecendo, então, percebi quando vi seus ossinhos mais salientes… mas, vi que ela estava se alimentando normal e bebendo bastante água, por isso, não achei que fosse algo grave.
Ainda se passaram alguns dias antes de eu levá-la na veterinária. O Jânio estava tratando dos dentinhos e achei melhor terminar o tratamento dele antes de levá-la.
Bom, mais uma “renca” de exames foram feitos e, dessa vez, a doutora tinha vários diagnósticos:
Segundo ela: Ela estava desnutrida, desidratada, com FELV, tinha muita água nos pulmões (o que deixava sua respiração difícil), uma doença que absorve os dentinhos e a doutora ainda disse que nunca tinha visto um intestino tão inflamado.
Para tirar a água dos pulmões, era necessário enfiar uma agulha pra ir sugando com a seringa, e, como a gata estava muito debilitada, não dava pra aplicar anestesia, pois ela não iria resistir, então a doutora fez o procedimento sem anestesia……........................................
Para tratar o linfoma era necessário desinflamar e melhorar todo o quadro de saúde da gata para começar o tratamento com quimioterapia, então iniciei o tratamento com os medicamentos em casa, mas, eu não via melhora. Na verdade, ela foi ficando cada vez pior. As dores de barriga voltaram a todo vapor e ela tinha muita fome. Comia o tempo todo e estava cada vez mais magra, porque o intestino inflamado não estava absorvendo os nutrientes necessários e ela não se saciava por mais que comesse.
Eu queria ter dormido abraçadinha com ela pela última vez, pois era assim que ficamos quase todas as noites de vida dela, mas, já tinha uns dias que ela não ficava mais em cima da cama. Eu a colocava e ela descia. Arrumei uma caminha bem fofinha pra ela ao lado da minha cama. E, quando ela acordava no meio da noite, miando, eu já me levantava correndo pra abrir a porta porque ela queria ir na caixinha de areia. Tão boazinha…
Nos últimos dias, ela já não conseguia mais controlar o intestino, embora tentasse, lentamente, chegar até a caixinha de areia, (pois não conseguia correr mais) ia escapando fezes pelo caminho até chegar na caixinha. Continuava com um apetite cada vez mais voraz e estava cada vez mais magra. Já estava só pele e ossos.
Então, conversei com a doutora e entendemos que a eutanásia seria o melhor.
Foi uma decisão muito dolorosa pra mim, pois eu tinha muito medo de não estar sendo justa com a minha gatinha.
Decidi não deixá-la sozinha e fiquei ao lado dela durante todo o procedimento até o fim.
Eu quis compartilhar esse texto antes, mas, sempre achava que não era o momento. Agora, estou mudando algumas coisas por aqui, fechando umas portas e abrindo outras, mas, senti que tinha ficado essa “pendência” que eu tinha que resolver.
Escrever, compartilhar e soltar… deixar ir.
Te amo pra sempre, neném.










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